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Luto
Esse blog já era!!! www.franciscoschieber.blogspot.com é meu novo end.
Escrito por Francisco Schiber às 20h09
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Culto á personalidade no cenário musical
Continuando a saga deste blog, muito pretensiosa por sinal, ”As Facilidades Que A Internet Trouxe Aos Músicos”, gostaria de comentar um fenômeno que agora faz parte do cotidiano de qualquer ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo músico: o culto à personalidade. Dei uma chacoalhada nas minhas idéias. Eu achava que esse fenômeno só se aplicava aos políticos. Enganei-me, como já aconteceu diversas vezes. Eu preciso sempre me reciclar. Minhas idéias soam datadas com muita facilidade. Essa é uma das vantagens desse meu blog, ponho sempre a cabeça para funcionar. Com ela funcionando, surgem novas reflexões. Monarcas, ao longo da história, tinham o hábito de cultuarem a si próprios. Achavam que exerciam seu mandato por vontade de Deus. Suspeito que alguns artistas também acham isso, com seu ar de superioridade, manifestado em atitudes às vezes constrangedoras como, por exemplo, o artista que maltrata um fã. Façamos uma reflexão: se ele maltrata seu fã significa que, na sua cabeça, o fã é irrelevante. Se o fã, que é o principal elo do artista com seu sucesso, é irrelevante, logo ele conclui que a vontade que prevalece a respeito de sua carreira é a de Deus, e o fã não faz a mínima diferença. Deus o elegeu um herói nacional e internacional. Chego à conclusão que, na cabeça do artista, Deus teria se manifestado em suas várias facetas como pessoa comum, reles mortal, que ora compra seus CDs, ora vai aos seus shows e, ocasionalmente, pede autógrafos, dando continuidade ao seu próprio culto, à sua própria fantasia. Os artistas seriam, portanto, os monarcas da arte, não os agentes. Por que afirmo que o culto à personalidade deixou de fazer exclusivamente parte do vocabulário de líderes políticos e expandiu seu território? Isso é bem simples, todos entenderão. Uma pessoa que tem um perfil no Orkut, por exemplo, é adepta da prática, por mais que não tenha a mínima idéia do que seja isso. Depois do Orkut todos viraram modelos. A pessoa que dispõe de uma bela máquina digital tira centenas de fotos, escolhe uma, corrige no seu computador as falhas, coloca em sua página inicial e pronto: mais um modelo na pista da internet. Em seu álbum, fotos de sua intimidade, de suas compras, seus carros, seus corpos malhados com biquíni ou sunga ou nenhum dos dois, entre outros detalhes e, mais uma vez, pronto: culto à personalidade. Não é simples? Músicos também foram e continuam sendo adeptos da prática. Admito que também cedi a tal fenômeno um tempo atrás, quando ainda era músico. Sinto-me envergonhado. Todo ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo músico, com as facilidades da internet, pode se sentir um herói também, exatamente como seus ídolos. A receita é simples e barata. Primeiro de tudo peça a seu amigo que tire suas fotos com sua câmera digital (se ele cobrar, arrume outro amigo e mande-o deixar de ser prepotente). Em seguida ajuste todas as fotos e coloque, usando seu computador para as correções, cores alucinantes e cenários sinistros, a gosto. Feito isso, crie um perfil no Myspace. Escolha um nome artístico alucinante, de preferência internacional, e monte-o com suas fotos e uma duas ou três músicas de sua própria autoria (não ligue para a qualidade). Depois peça para outro amigo levar sua câmera digital e gravá-lo tocando e mostrando o quanto é bom no instrumento (se esse outro amigo tentar extorqui-lo também, livre-se dele, da mesma forma que fez com o outro). Em seguida crie um perfil no You Tube e poste seus vídeos. Peça para alguém criar uma comunidade sua no Orkut (fã-clubes também estão com seus dias contados) e pronto. Você é um novo adepto. O processo nem é tão demorado e com sabedoria não gastará um centavo sequer, só a conta de luz. Isso explica o porquê estamos sempre cercados de novos heróis, a todo o momento. Culto à personalidade: não importa se você é ou não um herói. Se sentir como um já é o suficiente.
Escrito por Francisco Schiber às 11h45
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Eu possuo um amortecedor de ego
Isso mesmo, você leu direito. Mas, afinal de contas, o que seria um amortecedor do ego? Explico: passei a não ligar mais pra nenhuma crítica positiva ou negativa dirigida a mim. Não levo mais desaforo nem elogio para casa, deixo tudo pelo caminho. Há algum tempo atrás eu era bem egocêntrico. Não era arrogante nem estúpido, só egocêntrico. Isso aconteceu quando eu trabalhava como músico, mais exatamente. Eu era guitarrista. Treinava absolutamente todo dia, por horas a fio. Para que? Até agora estou tentando descobrir. Meu mundo era absolutamente fechado. Tudo que me importava era estudar, treinar e tocar superbem, para ter em troca admiração e elogio. Se acontecesse o contrário eu ficava arrasado, admito com total sinceridade. Meu mundo se resumia a isso: a batalhar pelo elogio. Foi a época de maior atraso na minha vida. Causei danos irreparáveis a mim mesmo, mas tive como consertar outros a tempo. Eu vivia dentro da redoma do ego, que denomino “ego burro”. Poderia ter escolhido adjetivo pior para esse tipo de ego, mas isso seria dar-lhe muita importância. Esse tipo de ego é destrutivo. A pessoa se torna escrava de si mesma. É algo parecido com a celebridade que faz cocô para sair em revista (como disse sabiamente Miguel Falabella. Obrigado pelas palavras). De uma hora pra outra você se torna dependente. Você passa a depender dos elogios e a temer as críticas de um grupo restritíssimo de pessoas que em sua maioria não mereceriam o mínimo sequer de sua atenção, caso você estivesse em seu estado de espírito normal. Eu era guitarrista de uma banda de heavy metal, logo as opiniões dos fãs de heavy metal me importavam muito. Meu tempo, meu dia, minhas metas eram dedicadas a eles. Eu dava muita importância a eles, realmente. Mudei de atitude. Não que eu tenha escolhido outro grupo para dedicar minhas atenções, meus interesses, nada disso. O fato é que não dou mais importância a nada nem ninguém, e duvido que tenham sentido minha falta também. Tive sorte. Há um ano e meio eu casei. Aconselho a todos os dependentes do ego burro arrumar um grande parceiro ou parceira e casarem. Se é fácil ou não, não é o tema em questão. É só uma dica. Por que disse isso? Porque o casamento foi essencial para eu enxergar que existe vida além do nosso próprio mundo, afinal de contas. Agora eu tenho total desprezo por afetações artísticas, qualquer uma delas. Do artista que se refere a sua própria obra com cara de mistério e grandiosidade, como se ele houvesse carregado o Santo Graal. Do músico que faz referencias a outro, como se esse outro fosse algo acima do bem e do mal, só pelo fato de tocar uma guitarrinha, ou o que for. Acredito haver limites para tudo. Aconselho a encontrá-los. Não existe ideologia verdadeira por trás da arte. Quando o bolso do artista começa a dar sinais de desespero ele, com toda razão, passa a correr para onde o dinheiro está. É como jogador de futebol: ele vai para o time que paga mais. O mesmo artista que hoje defende os pobres, amanhã pode se tornar uma figura poderosa e virar essa página da vida dele com se folheasse uma revista de fofoca. Por isso que passei a dar a devida atenção aos artistas. À sua arte, toda atenção e respeito do mundo. Aos artistas, pessoas comuns, nenhuma.
Escrito por Francisco Schiber às 07h03
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Rodízio
Esse post realmente não é sobre gastronomia. Se me permitem, continuarei a falar a respeito das conseqüências que as facilidades oferecidas pela internet trouxeram aos músicos. Eu entrei no site da CET SP e comecei a ler sobre um assunto bem pertinente: o rodízio de veículos em São Paulo. Há tantos veículos em São Paulo que em determinados horários o trânsito beira o insuportável, sabemos disso. A razão é simples, a solução é complexa. Eu por exemplo detestaria ter que deixar meu carro na garagem para ir ao trabalho de ônibus, metrô ou de carona. Mas eu moro no Rio de Janeiro, se morasse em São Paulo teria que embarcar na onda também. No site da CET SP as pessoas podem ter acesso gratuito aos decretos que datam de 03/10/1997, em formato pdf. Cito alguns trechos: “Considerando que a melhoria da fluidez viária aumenta o nível de qualidade de vida da população;” “Art. 1º Fica o Executivo autorizado a implantar, em caráter experimental, Programa de Restrição ao Trânsito de Veículos Automotores no Município de São Paulo, de conformidade com o estabelecido em regulamento. § 1º A medida autorizada objetiva a melhoria das condições do trânsito, através da redução do número de veículos em circulação nas vias públicas, de 2ª às 6ª feiras, exceto feriados. § 2º As normas regulamentadoras deverão definir os critérios adotados para a implantação da medida, bem como os meses, dias, horários e locais a serem alcançados, conforme o dígito final da placa de licenciamento.” Proponho uma idéia: gostaria de sugerir um rodízio de vídeos no site do YOU TUBE. A razão é igualmente simples: hoje em dia qualquer músico, ou aspirante a, pode gravar um vídeo, com sua webcam, e postar no mesmo instante o registro de sua performance, não é verdade? Então teremos que ser dinâmicos. Sabemos que hoje em dia temos pelo menos 99.665.659 de guitarristas de jazz, bons e ruins, postando sues vídeos. Há também algo em torno de 87.656.327 de baixistas de funk, igualmente bons ou ruins, divulgando sua performance mundo afora. Isso causa congestionamento. Por exemplo, um bom saxofonista de jazz, que grava e trabalha como músico e que usa o YOU TUBE para divulgar seu trabalho tem que disputar espaço com mais 1.265.987 bons saxofonistas e outros 99.999.999 saxofonistas de talento questionável. Isso não é bom. O usuário desiste de sua busca. A menos que esse saxofonista JÁ seja conhecido e o usuário digite automaticamente seu nome, ou que ele não trabalhe e tenha o dia todo livre, a ponto de poder ficar o dia inteiro pendurado em seu monitor convidando pessoas a assistir seu vídeo, ele continuará no anonimato. Simples, não? Rodízio de vídeos. O YOU TUBE é democrático. Nasceu assim e deve morrer assim. Todos têm direitos de postar seus vídeos. Os ótimos, os bons, os regulares, os ruins e os péssimos músicos, de qualquer estilo e instrumento. Para nos assegurarmos de atuar de acordo com a lei podemos nos basear nos trechos citados pela lei da CET SP. Primeiro de tudo, deve ser em caráter experimental. Em segundo lugar, a medida, por objetivar melhoria nas condições de transmissões de vídeos no YOU TUBE, deverá reduzir a circulação dos mesmos, de 2ª a 6ª feiras, exceto feriados. E, por último, devem ser estabelecidos critérios para tal, como o estilo musical que deve parar de circular no site durante “tais” dias, ou o instrumento, nível de qualidade permitido em determinados dias da semana. Enfim, não faltam critérios. Razão disso: a melhoria da fluidez viária melhora o nível de qualidade de vida do músico. O trabalho não é fácil, mas é possível. Para isso preciso saber se estão de acordo. Afinal, é muito trabalho, exige tempo. E ter esse trabalhão à toa não faz parte dos meus planos. Votem!
Escrito por Francisco Schiber às 13h29
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Não sejamos tão radicais
A situação caótica do mercado musical é a síntese da piada de mau gosto. Sei lá onde vai parar. Alguém sabe? Estou aberto a palpites, minhas conclusões estão se esgotando, estão ficando cada vez mais pobres. Estou redundante. Toda hora que penso no assunto, minha atitude se torna pessimista. Mas será que não posso pensar o contrário uma única vez? Pior que não. Eu até gostaria, mas não dá. Não me dão uma brecha sequer. Eu li, em um artigo publicado há algum tempo, que alguns artistas passaram a perguntar para o consumidor quanto sua música vale, quantos míseros centavos (que nem de longe cobrem os custos da gravação) sua obra vale. Quanto aquele trabalho, feito com cuidado, com muito dinheiro envolvido, com sacrifícios sofridos pelos próprios artistas e por todas as pessoas diretamente relacionadas a eles, como esposas e filhos, que sofrem com sua ausência em decorrência do trabalho, vale. Ele mesmo é impotente a ponto de não poder cobrar uma quantia dita como justa, sustentar seu ponto de vista e ser bem-sucedido. Seu trabalho se torna seu fardo. Música, que antes para ele era uma pura e rentável fonte de prazer, agora significa sofrimento, frustrações e angústias. É aquele patrão, que te obriga a trabalhar horas extras prometendo uma recompensa que nunca virá, ou um aumento de salário que só habitará nos sonhos do empregado. Ninguém começa nenhum empreendimento com a idéia de perguntar para o consumidor quanto que seu produto vale. O padeiro não pergunta quanto que a pessoa está disposta a pagar pelo pão. O dono do restaurante não pergunta quanto o cliente quer pagar pelo pedido. O remédio tem um valor estipulado pelo farmacêutico em qualquer farmácia desse planeta Terra (pelo menos nesse planeta tem. Não sei como é em outros planetas). Quando passa meu primeiro susto, quando começo a me acostumar com a idéia proposta, de perguntar qual seria o valor justo a ser pago pela obra de acordo com o ponto de vista do consumidor, vem outra bomba: perguntar quanto vale o espetáculo, o show, a apresentação em si. Não tenho folga mesmo. Mas não serei radical. Daqui a um tempinho me acostumo com essa idéia também, dou-me um mês para isso. Para me confortar eu penso em um período datado de muitos anos atrás, quando surgiu pela primeira vez o registro de uma obra em vinil. Isso resultou em revolta por parte dos donos de casas de espetáculo, de músicos, maestros, etc. Segundo eles, por que uma pessoa iria se deslocar para outro local e assistir a uma apresentação de ópera, se agora ela pode comprar um registro em forma de vinil? Com certeza esse avanço na indústria fonográfica soou como uma piada de mau gosto em seus ouvidos. Esse neo “avanço” do mercado e do entretenimento musical que estamos presenciando hoje também nos soa como uma piada de mau gosto, mas relaxemos. Daqui a pouco a gente nem vai mais ligar. Uns podem até levar mais de um mês para se habituar a nova idéia, mas no final todo mundo irá aplaudir. O efeito das piadas tem prazo de validade, inclusive as de mau gosto. O saldo foi positivo ou negativo?
Escrito por Francisco Schiber às 22h58
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Dificuldade demais atrapalha. Facilidade demais também
Decidi inovar. Quero que meu blog seja inovador. Estou obcecado com essa idéia. Penso nele todo dia. Penso nele quando estou trabalhando, quando estou tomando café, perturbo minha esposa com ele, perturbo meus amigos... Encho o saco. Porém, estou com essa meta. Sei lá se conseguirei, a tarefa não é fácil. Achei uma boa comentar sobre as facilidades da internet no meio musical. Mas como eu quero inovar decidi que, no final de cada postagem, colocaria a seguinte pergunta para reflexão: O saldo foi positivo ou negativo? Isso foi o mais longe que eu pude chegar a respeito da inovação, perdoem minhas limitações. Que a internet veio para ficar, isso todo mundo sabe. Os problemas relacionados a ela, idem. Eu por exemplo gosto muito da internet. Acredito que existam mais pontos negativos do que positivos em relação a ela, pois as pessoas, de um modo geral, costumam ser mais criativas em estragar as coisas do que, propriamente, melhorar. Estatisticamente falando, acredito que os sites mais freqüentados pelas pessoas são os que possuem conteúdo escuso, e não o contrário (boa idéia. Vou pesquisar sobre isso na internet). Músicos e artistas em geral também cederam às facilidades da internet. Não precisa ser muito esperto pra notar que os downloads gratuitos, ferramenta existente graças à internet, virou motivo de desgraça por parte dos executivos das gravadoras. Mas o quadro geral em relação às facilidades que a internet trouxe aos músicos é mostrado como se para eles tivesse sobrado só o Blue Label, enquanto os executivos das gravadoras amargam um Teatchers. Todos estão em comum acordo de que agora os músicos têm as ferramentas necessárias para divulgar seu trabalho e que essas mudanças foram absolutamente positivas. Pois enganam-se. Repare só: se uma pessoa pode postar músicas, vídeos e release de sua banda em sites gratuitos próprios para isso, automaticamente todas as pessoas que habitam este planeta também podem, inclusive seu vizinho aspirante a músico (e ele vai fazer). O que isso gera? Um total caos de informação. Tome de exemplo o Orkut. O usuário pode ter 700, 800 perfis adicionados. Mas quem, em seu estado normal de espírito, pode dar conta de tanta gente? Qual laço afetivo realmente possível numa situação dessas? Nenhum, ou no máximo um número absolutamente insignificante comparado à quantidade devastadora de pessoas adicionadas em seu perfil. Com a música acontece a mesma coisa. Quer ver? Imagine um cara que é fã de música. Ele passa o dia todo (é um desocupado) procurando perfis novos de músicos para adicionar. Ele olha a página de um artista novo em particular. Ele gosta da música e pede para adicionar. Daí entra em outro perfil, provavelmente algum que tenha um link com o do artista número um e que provavelmente não é tão bom quanto o primeiro. Adiciona também. Daí ele passa para a página de um número três, já provavelmente distraído em relação ao artista número um, até que este esteja totalmente esquecido. Até o fim do dia ele contabiliza 30 perfis novos adicionados. Porém, quem dá conta de tanta gente na lista? A pessoa pode até achar que está dando conta de todo mundo, mas não está. Obviamente a confusão se instala. Essa pessoa não volta mais ao perfil adicionado, não com a freqüência e atenção necessárias à demanda natural ($$$). Passar pra dar um alô, ouvir uma musiquinha de graça e ter o perfil adicionado é moleza, mas não põe comida na mesa de ninguém. Qual o resultado? A banda/artista tem milhares de fãs, no mundo todo, fãs devotados, mas na hora de comprar o CD, meu amigo, o fã não compra. Faz um download. Às vezes nem faz, ouve de graça as músicas que o próprio artista postou no site. Quem sobrevive numa situação dessas? Se fosse fácil, como muitos insistem em pensar, todo mundo estaria trabalhando bastante, vendendo bem, se mantendo bem exclusivamente com música, como qualquer emprego regular. Sabemos que não é bem isso que acontece. O saldo foi positivo ou negativo?
Escrito por Francisco Schiber às 13h50
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Não tente fazer isso, não só em casa, mas em lugar nenhum.
Essa crônica é uma ficção, mas foi inspirada no que eu li no encarte Rio Show, do jornal O Globo, do dia 07 de agosto, “Pague quanto quiser”. Quem leu o encarte vai entender. Quem não leu, sugiro que procure alguém que ainda tenha o jornal e leia. Lá vai: O cidadão quer ir a um consultório. Ele conhece um médico super competente. Ele checa o dia e horário e se dirige ao local. Entrando lá, o médico logo começa a fazer seu trabalho. O cidadão até dá sinais de que está gostando de seu desempenho, o tratamento é bem executado, ele é um profissional super competente, com anos de trabalho e em vários hospitais renomadíssimos e tradicionais, já apareceu diversas vezes na TV falando sobre sua carreira de médico e é amplamente respeitado por todos do setor. No fim da consulta e se vira para o cidadão e pergunta: “Quanto você está disposto a me pagar, por toda minha experiência, meus anos dedicados ao estudo, às horas de trabalho que acumulo em meu currículo, nos melhores hospitais, nas melhores clínicas, por ser respeitadíssimo no meu meio profissional?” O cidadão, satisfeitíssimo com o trabalho, meio que emocionado e comovido, diria até que sensibilizado com a habilidade e a desenvoltura a qual o médico exerceu seu ofício, olha para ele com cara de pena, de peninha mesmo, de dar dó, e diz: “meu caro profissional. Amei seu trabalho, você realmente é super competente, vim ao lugar certo. Todavia, infelizmente, sabe como é... Como as coisas estão tão difíceis nos dias de hoje, eu estou disposto a lhe pagar um real apenas porque, veja, já gastei dinheiro vindo até aqui, tive que comer alguma coisa no caminho e você sabe que essas coisas custam, né? Como foi isso que me restou, isso pagarei. Mas veja que poderia ser bem pior, poderia não ter sobrado nada. Hoje é seu dia de sorte” O médico chega a ficar com lágrima nos olhos com tamanha bondade do cidadão. Pega o dinheirinho, agradece incessantemente, a ponto de se tornar chato, se despede do cidadão e guarda o dinheiro em seu cofrinho. Agora leia de novo, mas antes faça as seguintes trocas propostas abaixo e veja que, de acordo com o que é sugerido no encarte (não fui eu quem inventou a tendência, não confundam!) e que está virando moda no meio artístico, não ficaria tão absurdo assim. São elas: 1 – consultório por show 2 – médico por músico 3 – tratamento por espetáculo 4 – hospitais por palcos 5 – consulta por apresentação 6 – clínicas por casas de show
Escrito por Francisco Schiber às 13h53
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Sou um chato
Decidi ser do contra. Isso mesmo, seguirei na contra-mão. Enquanto blogs relacionados a artes em geral promovem filmes cult, discos interessantes de selos independentes e livros que acumulam poeira nos sebos, decidi que o meu blog deveria ser o chato da história. Pra quê falar sobre um filme do Ingmar Bergman, um disco do Naná Vasconcelos ou um livro Huberto Rohden se as pessoas não dão a mínima porque é chato? Experimente alugar um DVD de filme da sessão Cult e veja o estado do mesmo. Está livre de arranhões, porque quase ninguém aluga. Ninguém quer saber de coisas diferentes, que abram a cabeça. Não adianta, por exemplo, eu dizer para as pessoas “assistam a TV Câmara, pois os melhores telejornais estão lá, os melhores documentários, e não apenas sessões de plenário”. Ninguém vai assistir. Mas isso também não importa, não muda minha vida. O que eu acho ou deixo de achar também não muda a vida de ninguém. Porém, não vou usar meu blog para promover nada de graça. Sei que meu blog é simples e totalmente desinteressante no meio de outros tantos que falam coisas muito mais legais do que eu tenho a dizer, mas nem por isso acho certo fazer propaganda gratuita para os outros, porque duvido que façam para mim. Duvido muito que publicariam em seus próprios blogs algo do tipo “confiram o blog de Francisco Schiber, é bem legal”. Estou sozinho na trilha da internet. O que me resta a fazer? Perturbar. Mas por que escrevi isso? Para que todos possam entender um pouco da razão do blog ser desse jeito, meio reclamão, meio chato, meio picuinha. Acho que existe muita afetação no meio artístico e, ao invés de abordar pessoas por aí gratuitamente, enchendo-as com minhas conclusões e reflexões, decidi escrever silenciosamente, como hobbie, sem pentelhar, sem incomodar ninguém. Porém devo confessar que fui pego de surpresa. Nunca pensei que fosse me divertir tanto escrevendo esse blog. Os assuntos, pelo menos pra mim, são pertinentes. E as conclusões novas que eu tenho chegado, depois de começar a escrever a respeito, têm sido mais claras. Arte é uma coisa complicada. Arte mexe com sentimentos e emoções e fica difícil de separar até onde vai o idealismo cultural e artístico e onde entra a parte relacionada aos negócios e o dinheiro. Músicos têm ideais. Músicos têm egos. Ego é uma coisa estranha, pode arruinar a vida de uma pessoa. Acho que existem dois tipos de egos: o “ego inteligente” e o “ego burro”. Vou explicar o que seria o ego burro. Ego burro é o responsável pela ruína da pessoa, no caso do nosso assunto, músico. Por exemplo, existe o guitarrista que se mata de estudar só para receber elogio. Não interessa se ganha dinheiro, se trabalha bastante, se consegue se sustentar. O que interessa no caso é o ideal, o ego burro, que é mostrar às pessoas o que ele é capaz de fazer. Daí posta o vídeo no Youtube, recebe várias visitas e elogios (nada de $$). O sujeito fica todo inflado. Tem o outro lado da coisa, o ego inteligente, que é o cara que treina que nem um louco, toca bastante, ganha dinheiro e as pessoas o procuram desesperadamente, ao invés dele correr desesperadamente atrás das pessoas. Outra característica que costuma acompanhar os músicos que tem o ego inteligente nas suas cabeças é o fato de, na maioria dos casos, ele não ter um ideal, propriamente. Ele tem, sim, contas e precisa trabalhar para manter a casa, família e se por um momento tiver que tocar cerca de 1% da sua capacidade técnica para conseguir receber seu salário, ele faz na mesma hora. Fico com eles.
Escrito por Francisco Schiber às 19h58
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A crise é só do mercado fonográfico?
A crise do mercado fonográfico já virou um assunto batido. Já é tão comentado e há tanto tempo que talvez as pessoas, por terem se acostumado a ouvir sobre isso sempre, perderam um pouco o foco sobre a gravidade do problema. Algo como a criminalidade no Rio de Janeiro: já nos acostumamos a ouvir tantos barulhos de tiros que, se ouvidos à distância, nem damos a devida importância, quando deveria ser algo terrível só de se imaginar. Ninguém parece ligar para as gravadoras. Elas sempre foram os vilões da história. Os ladrões, os mercenários, os sem-coração. Assim sendo, pau neles. Ninguém se importa se as grandes gravadoras estão falindo, pois elas não representam a verdadeira vontade dos artistas, que é a liberdade artística, certo? Esses argumentos viraram clichês. Eu, pelo menos, nunca vi nenhum artista de banda e estilo nenhum comentar coisas positivas sobre sua gravadora, como, por exemplo “ graças a eles estamos aparecendo na TV”. Ou eles ficam em silêncio, em atitude de resignação, ou abrem a boca para falar só coisas ruins. Mas, na hora de aceitar uma mega oferta para uma mega turnê, todos estão lá, prontos para aceitar, para depois de atingir a fama reclamarem da vida, de que foram usados, de que não tem liberdade artista, como se arte não fosse negócio. Triste mas é verdade: a arte é um negócio sim. Ninguém em estado normal de espírito aceita tocar só pelo prazer, sem receber nada por isso, a menos que seja um hobbie, não uma profissão. Mas agora com a internet os artistas têm as ferramentas necessárias para o sucesso e retorno financeiro, certo? Tudo está resolvido, os artistas agora serão ouvidos por todos, como querem, ganharão dinheiro e conseguirão se manter da maneira que acham apropriada? Discordo. Então parece que essas ferramentas têm limitações mais sérias do que as pessoas pensam? É essa conclusão que eu cheguei. Impossível de colocar todos os pontos relevantes em um só post, pois cada lado tem sua razão e os executivos das gravadoras com certeza não são nem nunca foram santos. Porém, um deles precisa ser destacado por hora. As gravadoras grandes mostraram ter, até hoje, os meios concretos de realmente fazer com que o artista, bom ou não, se torne grande. A política delas fez com que as pessoas conhecessem e gostassem das bandas que hoje se tornaram clássicas. A música em si conta, mas não em todos casos. A propaganda conta em TODOS os casos. Dar as costas para os problemas das gravadoras dessa forma foi um erro, que cedo ou tarde se manifestará da pior maneira possível.
Escrito por Francisco Schiber às 15h31
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Pura inveja!
Quando trabalhava como músico, eu eventualmente tinha aulas de guitarra com um específico professor daqui do Rio de Janeiro. Ele é um típico boa-praça, cara bom de bater papo, engraçado. Então fizemos amizade, mesmo nos encontrando exclusivamente a trabalho. Pois bem, um dia desses estava eu conversando com ele sobre Jazz, que tanto eu quanto ele adoramos. Que o Jazz é um estilo perigoso de se aventurar pela sua falta de popularidade, especialmente no Brasil, é algo que todos sabemos. E deveríamos nos lembrar disso na hora de decidir o tipo de música que optamos por trabalhar em termos quantitativos, e não só qualitativos, baseando-nos exclusivamente no nosso ponto de vista. Cada músico decide por conta própria o que é melhor pra si. Se ele quer ganhar muito dinheiro e ficar famoso, nacional, internacionalmente ou os dois, não deve somente seguir seu gosto pessoal quando este não bate com a realidade do mercado. Não adianta tocar Jazz, por exemplo, e ficar reclamando da vida, por tocar pouco, por pouco e isso quando toca/recebe. Por que citei o exemplo desse meu ex-professor? Simples: na cabeça dele todos eram culpados por ele não tocar muito e ganhar menos ainda por isso, basicamente. Desde os ouvintes, que na opinião dele não sabiam apreciar boa música, passando por artistas que, segundo sua concepção, ganhavam muito dinheiro por razões "injustas". Num dos exemplos ele disse que acha um absurdo um artista como o Herbert Vianna ganhar dinheiro com "aquelas musiquinhas bossais dele". Pura inveja, claro. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que as músicas compostas pelo Herbert são, além de ter estilo próprio, ótimas, cativantes e inovadoras. Eu não sou exatamente o que vocês podem chamar de fã dos Paralamas do Sucesso, mas é inquestionável a qualidade das músicas da banda. E, de qualquer forma, mesmo que fosse um artista medíocre, que culpa teria se as pessoas gostassem do que ele fizesse? Quando os Beatles tocaram pela primeira vez no Japão em 1966, no teatro Budokan, os repórteres perguntaram para o Paul Mc Cartney o por que da banda tocar lá, quando até o momento o teatro era um tipo de templo sagrado onde só aconteciam eventos de artes marciais. Na cabeça deles os Beatles estariam desrespeitando o local. Ele respondeu, seco e indiferente, que a banda foi até lá tocar porque foram convidados pelos próprios japoneses, nada além disso. Pensamentos como o do meu ex-professor, além de preconceituosos, não ajudam em nada. Frustração nunca resolveu a vida de ninguém, pelo contrário. Cada um deve assumir responsabilidades pelas suas escolhas, principalmente num campo como das artes, em que não são números exatos ou estratégias que definem se o projeto é bom ou não. Quem decide, se o projeto é bom ou não, é o público, não o artista.
Escrito por Francisco Schiber às 15h44
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Sobre os downloads gratuitos
Imagine o seguinte, quando perguntado sua opinião sobre cocaína, o usuário responde: “ eu odeio a cocaína, só gosto do cheiro que ela tem”. Esse tipo de resposta absurda pode se aplicar perfeitamente a várias pessoas que se dizem contra downloads gratuitos na internet, mas que fazem do mesmo jeito às escondidas. Volta e meia entro nas comunidades relacionadas a músicos e vejo em destaque uma campanha feita pelo mediador da comunidade, para denunciar os downloads ilegais. Pois eu posso garantir que 99% desses mesmos mediadores também fazem downloads de CDs na internet. Qualquer pessoa mais atenta pode reparar que, numa conversa entre fãs de música, várias vezes os politicamente corretos se contradizem ou sem querer deixam escapar sobre um “donwloadzinho” que fizeram de determinado disco. Agora vamos imaginar a seguinte situação, por mais estranha que possa parecer: eu tenho um amigo na Suécia e, como tenho contato regular com ele e ele também é fã de música, nós ficamos enviando discos raros um pro outro, para fazermos cópias. Pois bem, qual seria a diferença entre eu mandar o mesmíssimo disco para ele e vice-versa, só que pela internet, pelo e-mail, o que for? O resultado não seria o mesmo, uma cópia do CD? Claro que sim. Então porque os downloads gratuitos são ilegais? Como dizer que essa prática tira dinheiro do artista se não há dinheiro envolvido no neste processo em particular? É diferente de alguém pegar o CD, copiar e vender. Isso sim é condenável. Você não pode simplesmente pegar o trabalho dos outros e ganhar dinheiro com isso sem prévia autorização, nem comprar esse tipo de produto. Mas o usuário que fornece arquivo para download ganhou dinheiro? O que fez download gastou dinheiro ou enviou algum valor para uma conta bancária do provedor? Não. Então por que é ilegal? E na época do cassete? Por que na época da fita cassete uma cópia de um disco não era considerada ilegal? Simples: porque com a fita cassete o resultado não era muito bom, e isso “forçava” as pessoas a comprarem o produto nobre, o vinil. Hoje em dia a cópia do CD é também a matriz, e isso fez com que as pessoas criassem um desapego ao produto original, resultando na queda das vendas. Mas, convenhamos, as pessoas não compram mais CDs porque não querem. Simples. Não é culpa somente dos downloads. Eu mesmo faço downloads todos os dias, mas amo até hoje comprar CDs. Compro uma média de 10 CDs por mês. Então acho no mínimo irônico me acusar de ladrão, por fazer downloads gratuitos. Ora, eu movimento o mercado fonográfico mensalmente, e muito bem. Sou uma classe em extinção. Vamos parar de hipocrisia. Se a reprodução do disco, mesmo sem fins financeiros, é proibida, então que se proíba a locação de CDs e multe as locadoras. Nos CDs é escrito o seguinte: “proibida a locação sem autorização”. Preciso dizer mais?
Escrito por Francisco Schiber às 15h17
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Chamar a atenção no showbizz
O que fazer para chamar a atenção no meio musical hoje em dia? O que fazer para chamar a atenção do público? O que seria um fator de destaque depois de tantos anos de choques culturais, inovações e repetições, criações e plágios, talentos e charlatanismos? Acho que já sei. Pensei muito e acho que achei a resposta. A tarefa não é fácil. O showbizz já viu de tudo. Filantropia? Já tem. Vide Live Aids, Usa África ou cachês revertidos ao Criança Esperança. Causas sociais? Um monte, e os primeiros que me vêm à cabeça são John Lennon e Bono (perdoe caso deixei alguém mais importante de fora). Quer afronto moral? Ah, também houve aos montes. Um dos mais legais foi o beijo inusitado da Madonna com a Britney Spears (sei lá que ano e evento. Não sou o maior telespectador que vocês possam conhecer sobre esse tipo de coisa, mas vi no jornal). Poucos artistas têm essa sorte de protagonizar uma cena dessas com seu ídolo, seu ícone. Ponto pra Britney. E, claro, não devemos nos esquecer da Sinead O´Connor rasgando a foto do papa João Paulo II. Confesso que já me entusiasmei com boa parte do teatro do showbizz. Como fã de rock (tenho mais de trinta anos mas continuo sendo sim, e com orgulho) presenciei ou assisti pela televisão muitas situações fantásticas, surpreendentes, fora do real. Quer um? Jimi Hendrix, colocando fogo na sua guitarra no Monterey Pop festival, em 1967. Uau, que cena chocante. Bom, tem muito tempo que isso aconteceu. Na verdade acredito que isso foi uma resposta ao Pete Townshend, guitarrista do The Who, que quebrava sua Gibson Les Paul em mil pedaços após cada apresentação. O mais interessante nesse caso é que o próprio Townshend, muitos anos depois, já mais velho, admitiu que ele adotou esse hábito por acaso. Segundo suas palavras, no início da carreira do The Who eles tocaram em um lugar em particular cujo teto era muito baixo, e quando ele foi tirar a guitarra, a mesma bateu no teto, quebrando-se imediatamente. Vendo a excitação que isso causou nos presentes ele, como bom showman, terminou de... quebrá-la. Daí o hábito. Ele ainda admitiu que colava as partes quebradas da mesma guitarra diversas vezes para diminuir o prejuízo, quebrando a mesma em outra apresentação (nossos heróis às vezes não são tão radicais como pensamos). O curioso é que em muitos casos, depois de alguns anos, os próprios artistas se predispõem a desfazer o mito que eles mesmos criaram sobre eles mesmos e carregaram durante anos, décadas. Eu fico imaginando o que Hendrix falaria a respeito de ele tocar fogo na sua guitarra, se ainda estivesse vivo. Os temas líricos estão todos batidos também. Tanto que não há mais queima de discos (se bem que hoje em dia seria mais fácil assistir a uma queima, sim, mas de CDs piratas). Os discos eram queimados antigamente, por entidades sociais e religiosas, justamente por obter conteúdo lírico chocante, ameaçador aos valores éticos ( em extinção) e morais (também em extinção), além de uma vez ou outra fazer apologia à sexualidade de forma irresponsável (que não está em extinção), um dos pratos prediletos dos moralistas, muitos deles também imorais no tocante ao sexo, com a diferença de não tornar público. Queimar discos ficou muito chato. Tá tudo chato. Acabou a diversão de todo mundo. Até pro artista. Alguns apelam. Uma das coisas mais freqüentes que ouvi a respeito dos Jonas Brothers é que eles ainda eram virgens. Golpe publicitário? Suspeito que sim. Duvido que esse fosse o assunto predileto deles caso fossem meros garotos no anonimato, em uma simples roda de amigos de suas escolas. Tudo pelo showbizz! Ah, eu lhes devo a minha conclusão, quase esqueço. Lembram que disse ter achado a resposta? Pois lá vai ela: pendurar uma melancia no pescoço durante uma apresentação ou cerimônia de entrega de prêmios. Claro que sim, vocês não vêem? Por que gastar dinheiro quebrando coisas, desperdiçar tempo em passeadas filantrópicas ou expor sua vida sexual (ou a falta dela)? Pare de gastar de dinheiro com próteses de silicone. Pra que isso tudo? Será que ninguém percebeu que o público anda dando atenção a coisas que ultrapassam o limite da banalidade? Parem de se esforçar. Aproveite o jargão popular. Experimentem colocar uma melancia nos seus pescoços nas situações expostas acima e esperem para ver. Notícia boa garantida. Viremos heróis!!!
Escrito por Francisco Schiber às 12h47
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Insalubridade e fator de risco no meio musical Eu quero fazer um protesto. Cansei. Assisti a um programa cujos temas eram insalubridade e fator de risco no trabalho. A lista de trabalhadores nesses grupos é bem longa: mineradores, funcionários de hospital, de metrôs, de rodoviárias... Pois bem. Tô esperando, esperando, e nada de aparecer a categoria “músicos” na matéria. Como assim? Pesquiso na internet e nada também. Revoltante. Tudo errado. Músicos são expostos SIM a vários fatores de risco e têm direito, sim, à insalubridade. Ora, quem foi ou ainda é músico sabe muito bem do que eu estou falando. Quem nunca ouviu de um produtor que a banda ou equipe teria direito à estadia, e de repente quando chega ao local que seria a “estadia” comprova que ela é, de fato, um moquifo, uma cabeça de porco, que provavelmente seria interditado pela saúde pública? Opa, o cachê (quando tem) deveria ser mais alto por isso. De acordo com a minha perícia amadora e barata (é assim mesmo que os produtores avaliam o nível de respeito a ser cedido por eles aos músicos) acho que deveria acrescentar 20% em relação ao salário mínimo. No mínimo. E a comida? Aí realmente extrapola. A comida (quando tem) em muitos casos parece que foi tirada diretamente da vasilha da mãe do cachorro do produtor (perdoe-me o trocadilho). Se é um camarim chique, geração saúde, então teremos frutas, tipo fim de feira, aquela que caiu no chão e ficou ali até serem recolhidas todas as barracas. Não acredito que frutas, o mínimo decente para se colocar à disposição dos músicos, seja tão cara para uns ou outros produtores. Acredito que custe para eles o mesmo que custaria para mim, e, convenhamos, banana, maçã e melão nunca foram responsáveis pelo fracasso financeiro de nenhum evento. Há um outro fator muito importante. O não pagamento ao cachê do artista, referente ao evento, no valor e prazo combinados, pode acarretar uma série de problemas de saúde se exposto de maneira regular. Muitos shows seguidos, agendados por profissionais incompetentes, pode causar estresse, problemas cardíacos, hipertensão e outros. Daí a infração seria gravíssima, assim como a indenização. Com certeza chegaria à margem dos 40% sobre o salário mínimo. Mas, chega de falar de insalubridade. Vamos agora ao fator de risco. Fator de risco é algo que está lá, que põe em risco a vida do profissional e que pode se manifestar em um momento favorável a isso, como, por exemplo, a estocagem de explosivos, que podem explodir ao contato com o fogo de um balão caído ainda aceso. Sabemos que há muita violência na maioria das cidades e estados brasileiros. Isso é um fator de risco que pode se manifestar imediatamente quando somado ao amadorismo e à incapacidade do produtor que tem, entre outras funções, o dever de delegar a algum motorista profissional e capaz o transporte da banda e da equipe rapidamente e seguramente, do lugar onde a banda está hospedada ao lugar do show e vice-versa. Parece fácil. Pois eu mesmo tive uma arma apontada para a minha cabeça uma vez a trabalho, após o show, em uma cidade que eu prefiro não citar o nome, por que o garotinho que foi designado a nos levar imediatamente para o hotel se separou do outro carro em que estava a outra parte da equipe para levar a namoradinha dele em casa, em um bairro absolutamente perigoso. Resultado: apontaram a arma para minha cabeça, roubaram nossos cachês e, de quebra, roubaram o rádio do carro do garotinho. Ficou por isso mesmo. O produtor achou que a responsabilidade não era sua e disse que não iria reparar seu erro de não ter instruído corretamente o garotinho motorista e muito menos iria recompensar o prejuízo que tivemos. Por isso eu disse no início, cansei. Chega de incompetência. Chega de falta de caráter, chega de produtores irresponsáveis, despreparados. Chega de falta de respeito. Processo neles. Insalubridade neles!
Escrito por Francisco Schiber às 18h30
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Olá a todos
Sejam bem-vindos. Uma rápida apresentação: meu nome é Francisco, amante de artes em geral, sobretudo música. E esse é o tema central desse blog. Já trabalhei como músico profissional durante muitos anos, mais precisamente de 1997 até 2008. De lá pra cá muita coisa aconteceu no mercado musical. Muitas coisas para melhor, outras tantas para pior. Mas o que melhorou e o que piorou? Essas perguntas, entre outras, não ficaram claras e as respostas são duras em muitos casos. A realidade do músico e do consumidor hoje em dia é, no mínimo, caótica por diversas razões: downloads gratuitos na internet, pirataria desenfreada de CDs e o prejuízo financeiro sofrido pelos artistas e donos de gravadoras decorrentes disso são exemplos mais notáveis. Claro que há outros exemplos, poucas vezes ou nunca comentados e essa é uma das finalidades desse blog, expôr fatos muitas vezes desagradáveis e evitados, mas verdadeiros. Reflexões sobre assuntos relacionados à situação dos músicos e todos os profissionais envolvidos, reclamações, fatos, pontos de vista, enfim liberdade sem frescuras. Dito isso começo meu ciclo de postagens a seguir. Abs e boa sorte a todos.
Escrito por Francisco Schiber às 18h26
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